Festival reforça Rio Preto como cidade capital nacional da viola

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Festival reforça Rio Preto como cidade capital nacional da viola

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Se alguém disser que Rio Preto é a capital nacional da viola, acredite. Não se trata de elogio vazio para enaltecer a cidade. Com o Festival Nacional da Moda de Viola, evento que integra a 57ª Exposição Agropecuária de Rio Preto, entre os dias 2 e 5 de outubro e que vai distribuir R$ 22 mil para cantores e duplas sertanejas em busca de reconhecimento.

Nas quatro noites, a partir das 19 horas, os inscritos no Festival se apresentam e os jurados darão as notas para os melhores intérpretes de acordo com as categorias – Nacional, Estadual e Local. Ao todo foram 67 inscritos de 10 estados diferentes, o que resultou em 30 selecionados.

Os três jurados do Festival Moda de Viola serão: Renato Gagliardi, músico e pesquisador da viola caipira; Manoel Joaquim Gomes Neto, contrabaixista e concertista de violão e viola caipira; Hadailton José Teixeira, apaixonado produtor de projetos de incentivo à música caipira.

Os vencedores serão conhecidos no último dia do festival e serão premiados da seguinte maneira:

1º Lugar – R$ 10.000,00 (dez mil reais) + troféu;
2º Lugar – R$ 7.000,00 (sete mil reais) + troféu;
3º Lugar – R$ 4.000,00 (quatro mil reais) + troféu;
Melhor intérprete – R$ 1.000,00 (mil reais) + troféu;

Inspiração

O Festival busca revelar novos talentos a exemplo de tantos nomes consagrados que elegeram Rio Preto como morada, ou que dela fez palco para apresentações memoráveis. Nomes como Tião Carreiro, que ao lado do principal parceiro Pardinho, nunca escondeu o amor pela cidade, sem antes deixar na memória dos rio-presentes músicas e um estilo único de cantar e tocar viola. O criador em 1959 do “pagode”, estilo que uma variante da música sertaneja brasileira, marcada pelo ritmo diferente dado ao modo de tocar juntos o violão e a viola caipira, que incluía um “recortado”.

Outro nome de destaque é Cascatinha, da dupla Cascatinha e Inhana, que fez morada na cidade e onde está enterrado. Por aqui também passou e viveu toda vida Zé do Rancho, que nas décadas de 50 e 60 formou dupla com a esposa Mariazinha, avôs da dupla Sandy e Júnior, ambos filhos do também cantor sertanejo Xororó, da dupla com Chitãozinho. Impossível não cantar os refrões do clássico “Maria Chiquinha”, gravado por Zé do Rancho e Mariazinha, e anos após imortalizado nas vozes dos netos Sandy e Junior.

O cantor Zé Rico, que formava dupla com Milionário, sempre dizia em entrevistas que a clássica música “Estrada da Vida”, foi em parte composta aqui, quando em seu veículo, uma Brasília de cor verde, partiu da cidade para um show no Estado de Goiás.

Programas dedicados à moda caipira na TV Record, como “A Porteira do 8”, ajudaram a impulsionar carreiras de duplas sertanejas, hoje consagradas, como Chitãozinho e Xororó, João Paulo e Daniel e tantas outras.

O diretor da Casa de Cultura de Rio Preto, Jocelino Soares, idealizador do Festival da Moda de Viola, afirma que desde os primórdios do rádio na cidade a presença da música caipira se mostrou dominante.

“Desde os primórdios, com a rádio PRB-8, nos anos 40, Rio Preto passou a ter programação caipira. Já nos anos 80, o Luís Homero, dono da rádio Onda Nova, criou um programa 24 horas de moda caipira, sertaneja, a primeira do Brasil. Aos poucos aqueles que tinham resistência a musica caipira foram assimilando e Rio Preto se tornou a capital nacional da moda de viola”, explica.

O Festival, como diz seu idealizador Jocelino Soares, é inédito no país e coloca Rio Preto como marca no segmento de moda de viola. É a oportunidade que a cidade tem de resgatar suas origens.

“O Festival vem para qualificar nossa região. Foi criado três etapas, que é pra favorecer o nosso pessoal. Quem esta em Rio Preto merece ser privilegiado. A importância da moda caipira ser valorizada a este ponto é uma coisa de tirar o chapéu. Isso nunca aconteceu por aqui. Vem pra coroar tudo aquilo que a gente pensa e deseja”, diz Jocelino.

Texto: Raphael Ferrari

Fotos: Ivan Feitosa/Pref. Rio Preto.

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